sábado, 20 de janeiro de 2018

Porque hoje é sábado



Simplicidade...
Ser como as rosas, o céu sem fim,
a árvore, o rio... Por que não há de
ser toda gente também assim?
Ser como as rosas: bocas vermelhas
que não disseram nunca a ninguém
que têm perfumes... Mas as abelhas
e os homens sabem o que o que elas têm!
Ser como o espaço, que é azul de longe,
de perto é nada... Mas quem o vê
— árvores, aves, olhos de monge —
busca-o sem mesmo saber porque.
Ser como o rio cheio de graça,
que move o moinho, dá vida ao lar,
fecunda as terras... E, rindo, passa,
despretensioso, sempre a cantar.
Ou ser como a árvore: aos lavradores
dá lenha e fruto, dá sombra e paz;
dá ninho às aves; ao inseto flores...
Mas nada sabe do bem que faz.
Felicidade — sonho sombrio!
Feliz é o simples que sabe ser
como o ar, as rosas, a árvore, o rio:
simples, mas simples sem o saber!
(Guilherme de Almeida)

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Contando um conto



Eu gosto que você continue sonhando, mesmo que seja com impossíveis miúdas.
– Estou sonhando em justa causa, Doutor. Porque eu, se não fosse o amor, ou melhor, se não fosse a espera do amor…
Joelhos juntos, vai olhando os pés como se contemplasse a linha do horizonte. Saudade do tempo em que tinha saúde para desprezar o próprio corpo. Agora pouca convicção lhe resta, mesmo quando se lamenta:
– Sonhar me deixa muito cansado. Dá um trabalhão danado, sonhar.
– Se o senhor não sonhasse, já teria arrumado as ferramentas na caixa.
As ferramentas estão espalhadas pelo assoalho. Ele recusa arrumá-las na devida caixa.
– Fazem-me companhia -justifica assim a desordem. Dona Munda tem outra explicação para aquele caos: o marido ainda acredita poder ser chamado de emergência.
– Cure-me de sonhar, Doutor.
– Sonhar é uma cura.
– Um sonhadeiro anda por aí, por lonjuras e aventuras, sei lá fazendo o quê e com quem… Não haverá um remédio que me anule o sonho?
O médico ri-se, sacudindo a cabeça. Retira da sacola o estetoscópio, mas o doente, mal pressente a intenção, ergue-se, esquivo. Sidónio deixa escapar o aparelho que tomba entre chaves de fenda, alicates e apetrechos do ex-mecânico.
Bartolomeu espreita de lado, com desconfiança de bicho: Todos elogiam o sonho, que é o compensar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos.

(Mia Couto)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Coisas d'alma





A mente nos faz perceber o quanto somos pequenos. 
O coração, o quanto podemos ser grandes.
(Madre Teresa de Calcutá)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Palavras



Saudade de mãe é coisa sem jeito, chega quando menos
imaginamos: um cheiro, uma melodia, uma palavra... uma
imagem, e eis que o cordão do tempo,
nos convida ao retorno da infância.
(Pe. Fábio de Melo)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Luz da semana



Aprendi a me curvar diante de tudo o que me acontece. Tudo vem para ensinar alguma coisa.
Se você prestar atenção irá perceber que TUDO na vida é um professor. Qualquer coisa que o perturba é para ensinar-lhe a paciência. Qualquer um que o abandona é para ensiná-lo a levantar-se com seus próprios pés. Qualquer coisa que o irrita é para ensinar-lhe perdão e compaixão. Qualquer coisa que tenha poder sobre você é para ensiná-lo a tomar o seu poder de volta. Qualquer coisa que você odeia é para ensinar-lhe o amor incondicional. Qualquer coisa que você teme é para ensinar-lhe a ter coragem para superar seu medo. Qualquer coisa que você não possa controlar é para ensiná-lo a deixar ir e confiar no Universo.
(Jackson Kiddard)